Da infância a idade adulta: Diário Musical

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Meu histórico musical

Uma breve estória do que eu ouço e do porque eu ouço

A relação que sempre tive com sons e músicas ao meu redor sempre estiveram em sintonia com momentos da minha vida. E certamente, sempre sincronizaram com meu estado de espírito conforme cada fase da vida.

Explicar essa evolução musical, para mim é como contar um filme pela sua trilha sonora. Acredito que, o que nos leva a gostar ou não de algo, tem muita relação com experiências e referências que aparecem na infância e começo da adolescência.

O que você conhece e gosta vai se linkando com situações, experiências e sentimentos novos. Isso acaba virando uma ponte para gostos novos e assim por diante.

1º Infância

Minhas primeiras experiências com a música são tão antigas que na verdade são relatos da minha família. Eles contam que eu nem sabendo andar direito me pendurava no sofá e balançava, super animada, quando meu tio ligava alto Rammstein. Então, pode se dizer que essa foi uma entrada e tanto no mundo do metal. Haha

Já o que realmente me marcou durante a minha primeira infância foram as musicas do Album The Wall do Pink Floyd. Lembro claramente de ouvir em sequência as faixas: The Happiest Day of Our Lives logo em seguida a Another Brick in the Wall, Pt2. Essas duas faixas ambientaram boas cenas da minha memória de infância. Não vou me estender contando detalhes dessa época mas, posso dizer em resumo, que praticamente eu vivia em uma república. Meus tios muito jovens e minha mãe tendo que se virar depois da perda prematura da minha avó. Quando fiquei um pouco mais velha, eu pegava escondido o CD The Wall do meu pai para ouvir no diskman antes de dormir.

Infância

Os anos 90 em seu ápice, quem não sabe cantar É o Tchan por favor se retire!

Brincadeiras a parte, acredito que, a partir dos 6 anos é quando você começa a guardar memórias mais sólidas da infância. Eu nessa época estava bem mais preocupada em brincar na rua do que formar um gosto musical, toda a musica que tocava em festinhas de aniversário era o máximo. Tudo o que tivesse uma coreografia que você e seu amiguinhos pudessem copiar era sucesso. Eu não era diferente, aliás, me divertia muito fazendo cover de Spice Girls. Chorei quando os Mamonas Assassinas morreram. Sabia dançar a Ragatanga do Rouge. Tinha CD do Sandy & Junior e dançava na frente da TV quando tocava Toxic da Britney Spears.

Apesar de ter sido uma criança bem padrão, eu tinha algumas peculiaridades. Uma das minhas brincadeiras favoritas, por exemplo, era me vestir de bruxa. Passava horas no bosque da casa dos meus avós, colhendo plantas, fingindo fazer poções, brincando com os vários gatos, cachorros, galinhas, gansos e coelhos que tinham por lá. Adorava ouvir as músicas celta da Loreena Mckennitt e ficar viajando o meu mundinho mágico.

Isso com certeza me marcou muito, até hoje o folk e música clássica são participações constantes nas minhas playlists de trabalho.

Esse contexto não muito convencional na infância foi essencial para na adolescência, buscar todo tipo de coisa que saciasse minha curiosidade sobre temas como: histórias medievais, ocultismo, paganismo e tudo que tivesse um toque místico.

Pré-Adolescência

Eu dizia que tinha nascido na época errada, que deveria ter nascido na Idade Média. Queria castelos, heróis, lutas a cavalo, vestidos longos e toda a atmosfera envolvida. (Mal sabia eu que, se eu realmente tivesse nascido na Idade Média, teria morrido com alguma peste ou iria para a fogueira como bruxa). Foi inevitável, quando vi a primeira vez o clip do Evanescence na MTV. Amor a primeira vista. Me abrindo portas para conhecer o Gothic Metal e entrar de cabeça nesse mundo de divas dark como: Tarja Turunen, Simone Simons, Sharon den Adel entre outras.

Foi o casamento perfeito entre meus estilos de musica prediletos na época: Música Clássica e Metal. Com isso, consegui superar a minha vergonha pré adolescente e comecei a fazer aulas de canto, porque né, quem nunca quis ter a voz lírica de uma dessas Deusas.

Adolescência

Logo em seguida já um pouco mais velha, o CD do Pantera, Vulgar Display of Power, caiu em minhas mão. Isso virou minha cabecinha de adolescente rebelde. A partir daí, pode-se dizer que meu gosto ficou bem mais pesado. Meu leque de opções se abriu e bandas como: Black Sabath, Iron Maiden, Stratovarius, Slayer, Testament entraram para o meu cardápio. Posso dizer que, o Pantera me abriu portas, não só para o Trash Metal, mas também para o Southern Rock. Eu adicionei mais estilos para as minhas playlist que, agora contavam também com: Lynyrd Skynyrd, Alman Brothers Band, Rebel Meets Rebel e até ZZ Top. Foi uma fase em que, em apenas um dia, eu ia das Quatro Estações de Vivaldi até Ela Roubou meu Caminhão do Matanza. Acho que a adolescência é assim mesmo, volátil.

Juventude

No inicio faculdade, por motivos de festas constantes, foi a época em que eu mais ouvi AC/DC. Também foi a época que me abriu espaço para coisas mais cult, então o Blues, Jazz e Rockabilly entraram no jogo. O charme das pin ups realmente fez a minha cabeça nessa época. Fora do meu modo Party Hard, ao som de Black Betty, Born To Be Wild, Psycho Killer e afins. Lá estava eu ouvindo Ella Fitzgerald, Muddy Waters, Stray Cats, Johnny Cash e The Puppini Sisters. Essa fase musical combinou bastante com as transições na minha vida pessoal. Mudei para o litoral, uma vida totalmente nova com pessoas totalmente novas. Um ritmo bem mais animado e alegre precisava de uma trilha com bastante energia e estilo.

Mais para o final da época de faculdade, fui retomando as raízes do metal. O culpado disso foi o Dissection. O que preencheu bem aquela sensação que todo mundo sente no finzinho de faculdade de: “E ai, o que eu vou fazer agora? Procurar emprego? Chorar num canto escuro do quarto? Virar Hippie?”. Obvio que a minha resposta foi: Adorar Odin e fugir para as montanhas da Noruega. Eu não fui para os países nórdicos mas minha playlist foi. Satyricon, Amon Amarth, Six Feet Under, Bathory, Death, Darkthrone, Sentenced, Behemoth e afins, deram uma energia extra nas horas negras de escrever o TCC.

Idade Adulta

Na época em que morei nos Estados Unidos, virei uma esponjinha na esperança de captar o máximo possível da cultura local. Eu realmente me surpreendi pois, mesmo se tratando de um gêneros que eu gostava, descobri muita coisa lá que nunca vi por aqui. Se você tiver curiosidade de conhecer algumas das bandas que eu descobri na terra do Tio Sam, dá uma olhadinha nesse artigo.

Dois gêneros dos quais eu não estava familiarizada entraram para minha lista: Bluegrass e Motown. Bluegrass pois, faz parte da música folk americana. Virou a trilha sonora perfeita para o outono em Michigan. Motown pois, eu morei na cidade de Detroit, que é berço desse estilo. E é claro, porque você se sente uma diva fazendo qualquer coisa ao som de The Supremes.

De volta para o Brasil e para a minha cidade natal, Curitiba, eu posso dizer que entrei em um estado musical zen. Lógico que o metalzinho nas veias sempre esteve ali. Acredito que foi a fase que eu realmente senti que amadureci com meu gosto musical. Foi uma sincronia com a realidade em que eu me encontrei. Eu me vi sozinha em uma cidade que já não era mais tão familiar. Eu trazia toda uma bagagem mental e emocional de anos mudando, viajando e estudando fora.

Nesse exato ponto a realidade de que: “Agora é pra valer” acho que o pânico bateu e a coisa ficou séria. Minha procura por sons novos se tornou bem mais sóbria, calma e suave. Minha playlist transbordou em The Radical Face, Iron & Wine, Lac La Belle, Ray LaMontagne e porque não, Jack White.

Grassas a essas idas e vindas da vida, acredito hoje, ser bem mais aberta a estilos diferentes. Deixei de lado os mesmos preconceitos que eu costumava carregar quando era mais nova. Me sinto bem mais curiosa e disposta a procurar novos estilos e novos sons. Acredito que, gostos ligados a estética visual e auditiva, são um reflexo do que você é e das experiências que você passou.

Essa lista é apenas um resumo de tudo que eu poderia citar e apontar. Então sinta-se mais que livre para perguntar mais sobre o assunto.

Eespero ter apresentado um pouco do meu histórico musical. Também espero poder apresentar algo novo que, quem sabe, abra mais horizontes por ai. Não deixe de compartilhar comigo as musicas que fizeram parte de momentos chave na sua vida também!

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